terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Chapecó: O Bombeiro que mata e o Advogado que Mente

''(...) Mulheres que denunciam mas não representam judicialmente contra os covardes que ameaçam, agridem e matam, morrem duas vezes: morrem espiritualmente e morrem fisicamente.''

Acompanhei na imprensa local a apresentação do ''LOUCO FACEIRO'', Bombeiro Militar que assassinou a mulher e a sobrinha (enteada) no ultimo sábado aqui em Chapecó. Qual a conclusão da entrevista do advogado?

Contraditória e mentirosa, e não precisa ser especialista pra perceber as frágeis, ridículas e miseráveis declarações por ele apresentada para justificar tamanha atrocidade cometida por seu ''DEPRI FINGIDO'' cliente ! 

Mesmo não sendo psicólogo ou psiquiatra forense eu queria o acusado em minha mesa da retórica para algumas perguntas e depois o advogado também. Alguns minutos para apresentar a descrição covarde do acusado e a mentirocracia contraditória do defensor.

O pai da menina esta correto! Tem que colocar o bandido na cadeia e não em prisão militar. Nesses últimos anos estudando a questão da violência também dentro das instituições militares a conclusão que se tem é que a impunidade é um direito garantido aos bandidos desse segmento. Os mesmos que usam da farda para cometer crimes e atos covardes e justificam tais ato com stress, depressões e acidentes e tem a tutela do estado que os protege sob a égide do tal regimento interno.

Aprendi na acadêmia que um bom e permanente estudante da filosofia só terá dois medianos adversários pra debates: o Jornalista que vai tentar nos pegar em contradição pelas perguntas e o Advogado porque a verdade esta na lei. Então vejam as declarações de defesa do advogado :   

Declaração do Advogado:
"Meu cliente não premeditou tal crime, aconteceu por desentendimento no local e acidente por disparo"

Contradição:
Ainda no sábado a noite após o ocorrido familiares disseram que receberam ligação do acusado em que o mesmo dizia estar a caminho para cometer tal crime. Se não bastasse após ter assassinado a mulher e a sobrinha ligou pra ex sogra e vó de menina dizendo que havia matado as duas. 

Declaração do Advogado:
Meu cliente não ameaçou ninguém e muito menos algum colega de trabalho?

Contradição:
Mentiu de novo. Pois o mesmo já tinha recebido punição dentro da corporação com apreensão da arma alguns meses atrás, e colegas registraram ocorrência por ameaças. Além do que a pergunta: Se ninguém foi ameaçado porque havia policiais fazendo guarda em frente aos bombeiros e na casa de familiares das vitimas?

Declaração do Advogado:
Meu cliente esta em depressão, e com transtornos de consciência.

Contradição:
O deprimido cometeu os crimes e teve lucidez para ligações e fugir com seu veículo para a região norte do estado sem problemas algum. Tudo aponta premeditação, do ato cometido a fuga orquestrada, e apresentação a policia combinada por telefone após 48 horas pra fugir do flagrante. Será que ele esta com problemas psíquicos mesmo? 

''ELE ESTAVA DOENTE!'' -  Doente estava o Estado que selecionou, qualificando um cidadão como ele pra trabalhar com vidas dentro de uma instituição tão valorosa e séria como os Bombeiros.

Queria o profissional responsável pela aprovação psicológica do mesmo na etapa do Concurso pra mim fazer as mesmas perguntinhas que faço aos psicólogos que traçam perfil de funcionários para trabalhar em empresas. Métodos ineficazes, pífios, que não dizem nada, e poderia citar as centenas de milhares de caso que conheço. 

Se a consciência é realmente o inferno da vida, um minimo de lucidez é suficiente para que o resto dos dias se tornem um grande inferno. Existem casos que o melhor julgamento é aquele desprovido do legalismo que inocenta, pois para além disso é somente a impunidade. 

Tragédias como essa deixam o rastro de uma verdade triste: Mulheres que denunciam mas não representam judicialmente contra os covardes que ameaçam, agridem e matam, morrem duas vezes: morrem espiritualmente ao perder a liberdade de decidir  e  morrem fisicamente porque sua vida será ceifada a qualquer momento. 

Essa é a verdade maior e os números dizem isso! Tristemente!

Neuri Adilio Alves
Professor  Pesquisador

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

ESTUPIDEZ INGLÓRIA

Publicado em 23/01, Nei Alberto Pies

“A vida não é qualquer coisa mas é sempre, simplesmente, a ocasião para qualquer coisa” (Viktor Frankl)

Faz bom tempo que a criminalização daqueles e daquelas que lutam por melhores condições de dignidade humana vem sendo denunciada. Mas parece que esta violência, como outras tantas, repete-se. Alguns até passam a aceitá-la como compatível aos padrões de convivência social. O Estado, instituído como guardião dos direitos, é o primeiro que os viola quando reprime violentamente aqueles e aquelas que se organizam pacificamente para buscar educação, terra, trabalho, saúde, segurança, lazer... Estaríamos desaprendendo democracia? Sem liberdade de expressão e de organização, que democracia estará sendo construída?

A ordem, associada ao progresso, parece mover novamente o imaginário daqueles que veem a democracia no ideal, no abstrato, difícil de ser construída. Nem todos estão convencidos de que a democracia pode ser desordem, uma vez que “não existe democracia sem caos, confusão, entropia. A democracia é o sistema do dissenso. Na verdade, a democracia é um equilíbrio instável de ordem e desordem. Em alguns momentos, a desordem é mais importante do que a ordem. Tudo, claro, depende do grau de ordem e desordem” (Juremir Machado daSilva).

A criminalização é a face perversa do Estado e da sociedade que não permitem que a cidadania exerça a condição de sujeito de direitos. Quem luta por seus direitos, e pelos direitos dos outros, é facilmente taxado de criminoso, acusado e condenado sumariamente. Os estigmas e preconceitos sociais atribuídos àqueles que lutam provocam impactos negativos para o exercício da condição de seres humanos, cidadãos e seres de vida social. Assis da Costa Oliveira define a criminalização dos movimentos sociais como sendo: “uma ideologia que possibilita um conjunto de práticas de cunho repressivo, repulsivo e/ou permissivo, com conseqüências físicas, mentais e sociais para o movimento e para as pessoas nele contidas”. Existirá agressão maior do que esta? Não importa se maior ou menor, sempre agressão!

Os consensos é que constituem a ordem democrática, muito antes das leis e das imposições arbitrárias. Mas, como perderam-se as causas, sobraram os interesses. Poucas causas sociais e humanitárias são capazes de mover e agregar, daí a dificuldade de construir consensos e acordos. Os interesses, pessoais, econômicos e corporativos, sucumbem as possibilidades de pôr as estruturas de organização econômica, social e política a favor da dignidade humana.

A democracia nasceu das palavras, da retórica e da persuasão. Com as palavras em descrédito, sobraram atitudes típicas da pré-história. Valeria assistir ao filme “A guerra do Fogo” para dar-se conta da estupidez inglória. Como escreve Marcos Rolim, “a democracia que temos já não tem política. Nela, o futuro se ausentou porque as palavras não autorizam expectativas. Será preciso reinventá-la, entretanto, antes de desesperar. Porque o desespero é só silêncio e o melhor do humano é a palavra”.

Nei Alberto Pies, professor e ativista em direitos humanos

Fonte:
http://boletimodiad.blogspot.com.br/