terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Contra a imbecilidade do atual anticomunismo

Publicado em 17/12/2013, por Leonardo Boff

"O atual anticomunismo revela a anemia de espírito e a pobreza de pensamento que estão prevalecendo como disfarce para esconder o desastre que significa a economia de mercado, (...)'

Mauro Santayana é um dos jornalistas mais eruditos do jornalismo brasileiro. Sempre comprometido com causas humanitárias, contundente e dotado de um estilo de grande elegância. Somos colegas como colunistas do Jornal do Brasil-on line. Recentemente, no dia 17/12/2013, publicou um artigo sob o título HABEMUS PAPAM com o qual me identifiquei imediantamente. Sofro ataques imbecis de que sou comunista e marxista, como se para um teólogo com 50 anos de atividade, fosse uma banalidade fazer esta acusação. Sou cristão, teólogo e escritor. Marx nunca foi pai nem padrinho da Teologia da Libertação que ajudei a formular. 

O atual anticomunismo revela a anemia de espírito e a pobreza de pensamento que estão prevalecendo como disfarce para esconder o desastre que significa a economia de mercado, altamente predadora da natureza e agressora de todo tipo de direitos humanos e agora numa crise da qual não sabem como sair. 

Há tempos o Zürcher Zeitung, o maior jornal suiço e pouco depois o Times diziam que o autor mais lido hoje é Marx. Não só por estudiosos, mas por banqueiros e financistas conscientes que querem saber por que seu sistema foi a falência e por que tem tantas dificuldades em sair dele, se é que encontram uma saída que não signifique mais sacrificio para a natureza (injustiça ecológica) e para a humanidade já sofredora (injustiça social). 

Hoje mais e mais se percebe que este sistema é anti-vida, anti-democracia e anti-Terra. Se não cuidarmos poderá nos levar a um abismo fatal. É uma reflexão que faço contra meus acusadores gratuitos e faltos de razão. Penso às vezes que Einstein tinha razão quando disse:”Existem dois infinitos:um do universo e outro dos estultos; do primeiro tenho dúvidas, do segundo, absoluta certeza”. Estimo que muitos dos anticomunistas atuais se inscrevem nesse segundo infinito. 

É fácil serrar árvore caída e convardia chutar cachorro morto. Pensemos, antes, no presente com sentido de responsabilidade, unidos face a um feixe de crises que nos poderá levar a uma tragédia ecológico-social. Como fazer tudo para evitá-la e garantir um futuro comum para todos, inclusive para a nossa civilização e para nossa Casa Comum. Essa é a questão maior a ser pensada e sobre ela inaugurar práticas salvadoras e não distrair-se com discutir um comunismo inexistente, morto e sepultado. 

Leonardo Boff

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Habemus Papam

Acusado por um conservador norte-americano de ser marxista, Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, negou sê-lo, mas disse que não se sentia ofendido, por ter conhecido ao longo de sua vida muitos marxistas que eram boas pessoas.
A declaração do papa, evitando atacar ou demonizar os marxistas, e atribuindo-lhes a condição de comuns mortais, com direito a ter sua visão de mundo e a defendê-la, é extremamente importante, no momento que estamos vivendo agora.

A ascensão irracional do anticomunismo mais obtuso e retrógrado, em todo o mundo — no Brasil, particularmente, está ficando chique ser de extrema direita — baseia-se em manipulação canalha, com que se tenta, por todos os meios, inverter e distorcer a história, a ponto de se estar criando uma absurda realidade paralela.

Estabelecem-se, financiados com dinheiro da direita fundamentalista, “museus do comunismo”; surgem por todo mundo, como nos piores tempos da Guerra Fria, redes de organizações anticomunistas, com a desculpa de se defender a democracia; atribuem-se, alucinadamente, de forma absolutamente fantasiosa, 100 milhões de mortos ao comunismo.

Busca-se associar, até do ponto de vista iconográfico, o marxismo ao nacional-socialismo, quando, se não fossem a Batalha de Stalingrado, em que os alemães e seus aliados perderam 850 mil homens, e a Batalha de Berlim, vencidas pelas tropas do Exército Vermelho — que cercaram e ocuparam a capital alemã e obrigaram Hitler a se matar, como um rato, em seu covil — a Alemanha nazista teria tido tempo de desenvolver sua própria bomba atômica e não teria sido derrotada.

Quem compara o socialismo ao nazismo, por uma questão de semântica, se esquece de que, sem a heroica resistência, o complexo industrial-militar, e o sacrifício dos povos da União Soviética — que perdeu na Segunda Guerra Mundial 30 milhões de habitantes — boa parte dos anticomunistas de hoje, incluídos católicos não arianos e sionistas, teriam virado sabão nas câmaras de gás e nos fornos crematórios de Auschwitz, Birkenau e outros campos de extermínio.
Espalha-se, na internet — e um monte de beócios, uns por ingenuidade, outros por falta de caráter mesmo, ajudam a divulgar isso — que o Golpe Militar de 1964 — apoiado e financiado por uma nação estrangeira, os Estados Unidos — foi uma contrarrevolução preventiva. O país era governado por um rico proprietário rural, João Goulart, que nunca foi comunista. Vivia-se em plena democracia, com imprensa livre e todas as garantias do Estado de Direito, e o povo preparava-se para reeleger Juscelino Kubitscheck presidente da República em 1965.

1964 foi uma aliança de oportunistas. Civis que há anos almejavam chegar à Presidência da República e não tinham votos para isso, segmentos conservadores que estavam alijados dos negócios do governo e oficiais — não todos, graças a Deus — golpistas que odiavam a democracia e não admitiam viver em um país livre.

Em um mundo em que há nações, como o Brasil, em que padres fascistas pregam abertamente, na internet e fora dela, o culto ao ódio, e a mentira da excomunhão automática de comunistas, as declarações do papa Francisco, lembrando que os marxistas são pessoas normais, como quaisquer outras — e não são os monstros apresentados pela extrema-direita fundamentalista e revisionista sob a farsa do “marxismo cultural” — representam um apelo à razão e um alento.

Depois de anos dominada pelo conservadorismo, podemos dizer, pelo menos até agora, que Habemus Papam, com a clareza da fumaça branca saindo, na Praça de São Pedro, em dia de conclave, das veneráveis chaminés do Vaticano.

Um Papa maiúsculo, preparado para fortalecer a Igreja, com o equilíbrio e o exemplo do Evangelho, e a inteligência, o sorriso, a determinação e a energia de um Pastor que merece ser amado e admirado pelo seu rebanho.

Mauro Santayana - Jornalista 

Fonte:

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

PESQUISA SOBRE QUALIDADE DE VIDA EM SANTA CATARINA É CHANCHADA

"(...) a pesquisa parece DIZER TUDO aos que interessa e REFLETIR EM NADA aos que realmente precisam."
Tem coisa que a gente precisa se orgulhar, tem coisas que precisamos ajudar construir e tem aquelas que a gente precisa questionar sem desqualificar, ou então destruir mesmo. Falo isso pra me ater a pesquisa publicada no Diário Catarinense no inicio desta semana. Pra mim, por si só a pesquisa parece uma grande Chanchada que eu daria nota abaixo dos quesitos avaliados pois a amostra colhida tem caráter de ficção. Para além disso, as diversas interpretações acerca da mesma uma violência a "Razão Sábia" e um culto aberto a "Razão louca".

Digo isso porque tudo pode piorar, quando a gente encontra na página de uma emissora rádio da cidade um texto com caráter de oportunismo leviano requentando os dados fictícios. A gravidade aumenta com a emissora de televisão no jornal do almoço fazendo ufanismo fascista com os mesmos dados vomitando: “Chapecó é apontada como segunda cidade em qualidade de vida” no estado! Qual Chapecó e qual Estado? - Aqui podemos supor que uma atitude “publicista” assim pode acenar pra duas questões: ou a imprensa local é ingênua propositiva, “manipulada e manipuladora”, ou bandida demais mesmo, fazendo questão de mostrar sua face suja e a serviço do que estão.

PRIMEIRO que os dados apresentados em tal pesquisa demonstram que Chapecó não foi além do quesito "REGULAR" (nenhum Bom ou Ótimo) nos principais dados da "Amostra" e na soma geral das cidades em quesitos como SAÚDE e SEGURANÇA ficou na casa do Péssimo. SEGUNDO que afirmar que 73,2% da população de Chapecó considera os índices pesquisados como “ótimo” e “bom” é propaganda falaciosa, irreal, é metafísica numérica que não cabe no exposto. 

A pesquisa é péssima... imprecisa, burlesca e favoreceu apenas o proprietário do instituto que deve ter recebido bem pra fazer. Afinal jogar dinheiro público fora virou prática costumas que geralmente não entra em dados de pesquisas. Mas esses dados apresentados sobre Chapecó são facilmente desconstruído. Principalmente por alguém que aqui nasceu, cresceu e acompanha minunciosamente o que se passa na cidade há 39 anos. Vejamos:

- SEGURANÇA PÚBLICA … não dá pra engolir dados positivos sobre segurança numa cidade como Chapecó que no ano de 2013 já bateu recorde de assassinatos, centenas de tentativas de homicídios, centenas de ocorrências por assalto, brigas, ameaças, porte de armas, tráfico de drogas e influência; 

- SAÚDE PÚBLICA… não dá pra falar que está tudo bem, quando as mães precisam passar horas numa fila do Hospital Municipal da Criança sem atendimento, ou ainda a gente vai marcar consulta de retorno com especialista e ai te dizem que a “cota de gasto da semana acabou”, tenta na próxima;

- DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE… não dá pra falar em sustentabilidade e preservação ambiental numa cidade que permite a derrubada de Araucárias e Aterro em Áreas de Preservação Ambiental com mananciais de água do Aquífero Guarani;

- MORADIA... não dá pra ter tanta cara de pau em avaliar positivo e qualitativo a questão da Moradia quando o governo municipal além de não fazer uma só casa não solucionou os inúmeros problemas das áreas irregulares. Mas permitiu a abertura de dezenas de loteamentos de seus apadrinhados mesmo em áreas de preservação. Foram esses os entrevistados?

- TRANSPORTE, TRANSITO E MOBILIDADE URBANA... não dá pra apontar dados qualitativos no Transporte público, Trânsito e Mobilidade, quando o transporte é caro de péssima qualidade. No trânsito vai acentuando o caos, e a mobilidade urbana reduzida num calçadão político/estético no centro da cidade. Some-se a isso os quilômetros de calçadas irregulares e desrespeito ao direito dos deficientes.

- CULTURA, LAZER E ESPORTE... não dá pra conceituar qualidade cultural avaliando desfile de carros pela avenida nos finais de semana com péssima música e poluição sonora. Ou ainda, citando um Centro de Eventos a serviço da burguesia faceira e rasteira. E muito menos vincular ''Lazer e Esporte'' meramente ao clube verde série A! 

- ACESSO A COMUNICAÇÃO... não dá pra falar que temos acesso a comunicação, só porque se tem uns programas de rádio tendencioso, jornais impressos que vivem do dinheiro público, ou porque temos 50 mil pontos de acesso pra internet ligados na cidade ao custo de quedas constantes. Isso pra não citar a massiva comunicação fascista vinculando as cores partidárias aos prédios públicos da cidade. 

- EDUCAÇÃO... não dá pra falar em educação qualificada com escolas caindo sobre os alunos, professores em Greve, falta de creches. - Educação de qualidade se mede com resposta qualitativa na produção de ciência e emancipação social e não por reprodução fabricado de dados ideológicos;

- TRABALHO E RENDA... uma coisa é ter vaga de emprego e outra é uma política de valorização e assistência ao trabalhador. Pois uma cidade que apresenta milhares de trabalhadores mutilados por acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, não pode medir qualidade e renda ao trabalhador;

- INFRAESTRUTURA... não dá pra falar em infraestrutura medindo o acesso a elas apenas por uma seleta camada social da cidade. Quando escolas estão caindo por falta de reformas, ruas esburacadas, falta de creches, Ciclovias, Praças de Lazer e viaturas para polícia trabalhar.

De tudo isso o que sobra é a minha vergonha ao me dar conta do quanto tempo gastamos justificando as pessoas que conhecemos há quilômetros daqui pra não se iludirem porque não somos a “Suíça Brasileira” como tanto se tenta vender. Somos um estado de pessoas que batalham pra vencer na vida honestamente, muito diferente dos que passam a vida vendendo o desonesto e falacioso. 

Enfim! Eu quero minha cidade cada vez melhor, mas com a certeza de que ela é real e não fictícia, pois para mim a referida pesquisa parece DIZER TUDO aos que interessa e REFLETIR EM NADA aos que realmente precisam. Mas pra deixar ela mais completa arrisco dizer que faltou avaliar um quesito que faço agora - FALTA DE VERGONHA (nota 10). E viva a sangria de dinheiro público! 

Neuri Adilio Alves
Professor, Filósofo e Pesquisador 

Nota de rodapé:
…..........................................................................................................................................................

A título de curiosidade reproduzo as notas recebidas da CHApecó Gráfica, e não a XApecó real:

ÓTIMO (5)____BOM (4)____REGULAR (3)____RUIM (2)____PÉSSIMO (1) 

- Moradia........................................................................................................................ 3,5
- Infraestrutura ............................................................................................................ 3,5
- Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente ...................................................... 3,2
- Moradia.................................................................................................................... 3,9
- Acesso a Comunicação ............................................................................................ 3,5
- Segurança Pública..................................................................................................... 3,1
- Trabalho e Renda ......................................................................................................3,5
- Transporte, Transito e Mobilidade Urbana................................................................. 3,0
- Cultura, Lazer e Esporte.............................................................................................3,5
- Saúde........................................................................................................................3,0 


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