domingo, 21 de julho de 2013

A DESCRENÇA NA POLITICA E O BODE EXPIATÓRIO DA VEZ

"... o que convence são mudanças de atitudes expostas a luz dos projetos coletivos, cada vez mais raros na politica moderna!"

Sempre vi no Deputado Cândido Vaccarezza o rosto do fisiologismo mais sacana e putrefato da politica atual. Orlando Silva foi vítima de seu veneno ao ser colocado no olho de um furacão soprado sobre a ambição de fazer de Fernando Haddad prefeito de São Paulo e evitar o acumulo de força politica que Orlando vinha agregando enquanto Ministro dos Esportes. Afinal nada foi provado contra Orlando, a não ser toda esta armação bandida que hoje podemos confirmar pelo arquivamento das gratuitas e baixas acusações que eram retroalimentadas por Vaccarezza na surdina das articulações e interesses, servido como vinho festivo na taça pragmática e suja do então Procurador Geral da República Roberto Gurgel (outro boçal).

Mas não é por esta razão e outras abertamente pontuais que jogar nas costas do Deputado Vaccarezza toda culpa pelo derretimento de concepções ideológicos, desvio no projeto politico de reformas e uma ampla pauta nacional de mudanças que vai solucionar os problemas atuais. O Problema não são os aliados, o problema tem sido as negociatas por dentro do modelo atual que transformou a 'Ética' de um amplo projeto de transformação com inclusão social, uma 'Ética da práxis deturpada' pelos privilégios institucionais de uns e o sangramento moral de homens sérios como Orlando Silva para favorecer seus pares. 

Então é preciso avaliar com maturidade e acima de tudo humildade para reconhecer que o inimigo pode estar dentro da própria casa ideológica. Nestas divisões loteadas por tendências e nas dependências das negociatas do grande feirão de mazelas da política suja. Por isso grande parte, entre eles os aliados históricos não podem ser apontados com válvula de escape e negação dos próprios erros. Talvez por isso em 10 anos de governo se perdeu para além da humildade a capacidade de se auto avaliar. E quando se perde isso, significa que o retrovisor do compromisso histórico foi quebrado. E ao atingir este estágio da deturpação fica mais difícil propor avanços políticos e exigir fidelidade de aliados. Principalmente quando se coloca como barganha na mesa de votações de importantes projetos para o Brasil o loteamento nominal de candidatos para Prefeitos em 2018 e a Presidência em 2020. 

Simples e direto, é assim que se coloca o dedo na ferida e se pode encontrar o antídoto pra cura das contradições. Fora isso, inimigo é aquele que se abstém de questionar os erros na atuação política. E o pior deles é aquele que arruma um 'Ente' falacioso para solucionar um problema verdadeiro. Vaccareza não é santo, mas demônios maiores habitam a causa mortis da ética e fidelidade neste governo. Inocentes mesmo são poucos como ex ministro do Esporte e atual vereador de São Paulo, enquanto as únicas vitimas/culpadas são a turba eleitoral que vota em grande parte sob a perspectiva da vantagem marginal na base cidadã nesta grande Ágora (ἀγείρω) da democracia. 

Documentos não convencem, o que convence são mudanças de atitudes expostas a luz dos projetos coletivos, cada vez mais raros na politica moderna!

Neuri Adilio Alves
Professor, Filósofo e Pesquisador

quinta-feira, 18 de julho de 2013

QUAL EDUCAÇÃO QUEREMOS: O QUE UMA ESCOLA REFLEXIVA PRECISA?

[Editorial do Corujinha nº 72 – 2º trimestre/2013]

É inegável que vivemos um tempo que apresenta necessidades essenciais para a convivência entre as pessoas. Tempo em que a comunicação é instantânea, e as pessoas não conseguem dialogar, discutir ideias, ter paciência e colocar-se no lugar do outro.

Somando-se a isso e a outros fatores, educadores e escolas entram na “onda da moda”, colocada por grandes corporações e grupos empresarias, de que educar hoje é só oportunizar para os aparatos e, em alguns casos, espera-se que quinquilharias tecnológicas (entendam aqui os tablets, lousas digitais, smartfones, livros digitais...) façam a diferença na aprendizagem.

Porém, os grandes educadores de todos os tempos já deixaram legados do que é e como educar. Estão presentes na memória e, mais do que nunca, sendo necessários. Precisamos abrir espaços cada vez maiores para o diálogo que educa para a tolerância. Para o diálogo que aproxima e abre novas perspectivas. Para o diálogo que leva à investigação, ao questionamento, aos amadurecimentos e às transformações. 

Somente educaremos as gerações atuais e futuras abrindo espaços para o pensar, dialogar, discutir, investigar, e a sala de aula é o espaço privilegiado para isso acontecer. Essa sala de aula que deve ser transformada numa Comunidade de Aprendizagem Investigativa e que tem como mediação uma investigação e aprendizagem reflexivas, filosóficas.

Educação, Filosofia e Sensibilidade são o tripé da Escola Reflexiva no século XXI, e tudo o mais é mera “perfumaria”. Escola Reflexiva que desperta nas crianças, nos adolescentes e jovens o gosto pela vida, a alegria da convivência e a busca da simplicidade para conhecer e ser no mundo. Escolas e educadores que não vislumbram um filosofar vivo na sua prática filosófica se deixarão guiar pela “onda da moda” como tábua de salvação.

Este é o foco das ações e reflexões durante os preparativos aos 25 anos do Centro de Filosofia Educação para o Pensar e Editora Sophos.

Prof. Dr. Silvio Wonsovicz
Presidente do Centro de Filosofia Educação para o Pensar