sexta-feira, 24 de maio de 2013

RECADO AO AMIGO ADEPTO DA 'MENTIROPATIA' IDEOLÓGICA!

"Acertar as contas com o passado é necessário quando se almeja um coerente projeto futuro, e se busca curar a 'esquerdopatia' desenvolvida."

Faz tempo que digo que a esquerda precisa um momento pra acertar as contas com seu passado. Isso se tiver motivações para os avanços utópicos que almeja e para o vislumbre do real que estão ao seu alcance. Não dá pra continuar achando que o simplismo aparelhista em entidades, ou cadeira legislativa é a prova concreta de que seus objetivos estão sendo atingidos enquanto projeto politico ou programa de orientação partidária. 

A verdade vai além do mero orientalismo PROgramático que é violentado na ação PRAgmática do que chamam de força de convergência de ideais. Basta ver o mercado de militantes fabricados momentaneamente em detrimento de mazelas administrativas a posteriori. Muitos dos quais se esforçando fisiologicamente para manter contato com o povo e cadastrando números sem vinculo algum com a luta de classe lá na base. 

Mais do que em qualquer outro lugar meu caro, aqui onde a 'Direita Sectária' governa desde a expulsão dos guaranis e kaingangs, sendo interrompida apenas 8 anos por um intervalo acidental de interesses dispersos vai permanecer por muito tempo ainda. Pelo menos enquanto as "forças de esquerda" se ainda pode ser identificada ou os simpatizantes deste processo histórico não fizerem uma espécie de acerto de contas com com seu passado de orientação ideológica e coerência. Mais do que meras bandeiras e grito de oposição se faz necessário revisão e formação. 

Isso deve passar por todos os espaços onde os vícios da esquerdopatia se instalou como ilusória solução para as transformação da realidade. Desde as entidades comunitárias, entidades de classes, escolas, universidades e Sindicatos. Principalmente neste ultimo, onde em muitos casos se faz a luta de classe virtual, ilusória, fisiocrata e seus 'dirigentes executivos' na efetiva atuação de base sugam a entidade, enganam os seus representados e em inúmeras situações ainda recebem apoio imoral de seus "iguais'. 

A 'Iusão' é sempre uma 'Alusão' de realidade alienadora onde o individuo passa a mentir pra si mesmo, e agrava a situação ao acreditar no todo como uma verdade. Ou seja, vende a imagem de transformador da sociedade, mas mantém em ruínas os primevos ideais de classe, dissolvendo os princípios da coletividade em seus interesses personalistas ou de grupo. Aqui emerge a presença de uma terrível perversão da verdade: A 'MENTIROPATIA' da Luta de classe! É assim que desejam mudar a realidade politica por aqui? 

A grande verdade, é que sem um novo programa de formação efetiva, que faça frente a esta deformação da realidade, todos os projetos caminham a passos largos para o fracasso e as duras contradições. E diante desta cegueira pragmática, todos precisam integrar conscientemente a certeza de que as forças conservadoras ainda vão rir a toa por muito tempo aqui na cidade. Porém somente os coerentes conseguem ver a verdade, tudo o mais é apanágio dos incoerentes. Se é este o vosso projeto só nos resta uma doentia e cômica salva de palmas a burrice ideológica, pois embora Chapecó mereça mais, a direita agradece!!! 


Neuri Adilio Alves
Professor, Pesquisador.

sábado, 11 de maio de 2013

A ARTE DE DEIXAR APRENDER

"(...) deixar aprender é deixar que o conhecimento nasça, que o conhecedor renasça a cada novo conhecimento, é deixar que cada um se reconheça no ato de aprender."

Para Martin Heidegger ensinar é mais difícil do que aprender porque ensinar significa: deixar aprender.

Uma arte refinada, que exige sensibilidade extrema para perceber as disposições de cada aluno, para detectar o grau de maturidade intelectual e emocional de cada aluno, para permitir que o aluno mesmo entre em contato com a necessidade pessoal de buscar a verdade

O professor que entende as “artimanhas” desse deixar aprender jamais pretende dominar o aluno com recompensas e muito menos com punições ou ameaças. Limita-se (rompendo todos os limites) a apresentar o que entende ser a verdade, mais com uma atitude de busca do que com grandes proclamações de já ter encontrado ou definido tudo.

Deixar aprender é transmitir o entusiasmo irresistível de quem se comprometeu radicalmente com a realidade. O mestre entusiasmado faz os alunos descobrirem, em clima de reverência (sem expulsar o bom humor), que aprender é emocionante porque tem a ver com o sentido da vida.

O professor que sabe deixar aprender dispensa a “aulística”, esta habilidade que se reduz a dar aulas picotadas de sala em sala. Vive, sim, da “holística”, essa visão da existência que nada deixa de fora. Não existe “o fora”. Todos os aspectos da realidade são conciliáveis numa visão generosa: o subjetivo e o objetivo, o interior e o exterior, a teoria e a praxis, a liberdade e a obediência, a autonomia e a heteronomia, o etc. e o etc.

Deixar o outro aprender é deixá-lo ver as realidades contrastantes que se harmonizam numa visão abrangente, numa visão filosófica da realidade. A realidade é matizada, e também precisamos deixar que ela se manifeste.

Deixar que o outro aprenda não é deixar de dar aulas. É cultivar o conhecimento integral da realidade, atitude que nada tem a ver com o conhecimento exaustivo das coisas, com a tentação epistemológica da análise avassaladora, com o domínio antecipado de categorias às quais o real deverá ajustar-se, custe o que custar.

O professor verdadeiro, na minha concepção, é aquele que entende o conhecimento como um co-nascimento, ou, para ser mais explícito, como o co-naissance do famoso trocadilho de Gabriel Marcel.

Isto é, deixar aprender é deixar que o conhecimento nasça, que o conhecedor renasça a cada novo conhecimento, é deixar que cada um se reconheça no ato de aprender.

O resto é pedagogia.

Professor Gabriel Perissé 
Doutor em Filosofia da Educação pela USP e coordenador pedagógico do Ipep (Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa).